Sta. Barbara-Carson City

antes... Honululu-Hilo-Sta. Barbara

    Depois de um merecido descanso num confortável Hotel ao estilo colonial Americano, com muitas árvores e construções baixas decidimos, o António e eu, celebrar com um almoço num restaurante Mexicano recomendado por um autóctone de nome Xavier. Nessa manha tínhamos posto os aviões a fazer um equilíbrio dinâmico dos respectivos hélices, técnica não disponível em Portugal, que reduz substancialmente as vibrações - semelhante ao equilíbrio das rodas de um automóvel.
    Chegámos então ao 'EL GRULLO' e encomendámos um almoço sem toppings nem marinateds. Começámos com um par de Margeritas que assentaram como veludo, enquanto esperávamos que o vinho branco ficasse um pouco mais frio. Fomos entrando pelos camarões, enchiladas, tacos e demais especialidades Mexicanas, até que se nos deparou uma sopa de "cozido" de se lhe tirar o chapéu e demais vénias a preceito. Terminamos com bolo de chocolate, acompanhado de café e uma Tequilla, correcção, várias, ou seja: Tudo a que tínhamos direito!
    Regresso ao hotel para fazer alguns cálculos e a respectiva siesta. Só nos faltavam as rédeas na mão para parafrasear a canção..."digam lá se isto não é viver.". O voo para Carson não tem história; duas horas e meia de sol sobre as montanhas, alguma turbulência e um aeródromo com bastante tráfego sem controlador - somente uma frequência UNICOM onde cada piloto se faz anunciar e uma estação automática com as informações pertinentes para a aterragem: Direcção e velocidade do vento, temperatura acerto altimétrico, etc,etc. O António aterrou primeiro, o que me fez andar pelo aeródromo a sua procura pois não "atinei" com o parque onde nos esperava o nosso AMIGO (com letra grande) JIM KERR. Que grande satisfação me causou poder abraçá-lo. Seguimos para sua casa para ver a sua esposa MARCIE e claro desatar a contar as aventuras vividas até aqui. Nos seus 75 anos, Jim e um Homem vigoroso com uma actividade mental extraordinária, apaixonado pelo voo, que nos escutou com ouvidos de conhecedor o que tornou a conversa muito viva e verdadeiramente agradável. Da sua mão saiu todo o planeamento para a minha viagem até Mineral Wells, Texas, onde me encontro, para tentar resolver os problemas do piloto automático, junto do fabricante: Century Corp..
    Desse voo há a registar que fui autorizado a voar IFR directo sem passar por qualquer VOR ou AIRWAY. Quando a garrafa de oxigénio começou a dar sinais de esgotamento, vinha a 15000 pés, desci inicialmente para 13000. Quando finalmente acabou ao fim de 5 horas fui autorizado para 11000 pés. Como essa altitude não era suficiente para passar as montanhas deram-me vectores radar para o fazer mantendo os 11000 pés. Logo que o terreno se tornou mais baixo vim para 10000 pés sempre numa rota directa. Suponho que seria impossível obter este tipo de cooperação na Europa. Alguém me disse aqui nos USA: a aviação ligeira conta por 65% do trabalho dos controladores. De facto, quem mais precisa de apoio durante o voo são os aviões ligeiros normalmente pilotados por pilotos privados sozinhos sem a experiência dos pilotos profissionais (que voam 80 horas por mês tanto como um piloto privado voa em média por ano) que voam aviões com tudo que existe de melhor em termos de equipamento e sempre com um co-piloto ao lado para dividir as tarefas. Felizmente há controladores em Portugal que percebem esta realidade, não tantos como gostaríamos. Vamos acreditar que serão cada vez mais.
    Aqui estou em Mineral Wells, de onde só sairei - juro - quando o AP estiver a 100%!
 

Delfim Costa