Pago Pago-Christmas Island

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    As "Orelhas de Burro" saem novamente à praça


    Esta crónica já vem atrasada mas não podia deixar de vir à luz. O seu a seu dono, para o melhor e o pior.
    Naquela belíssima noite em Pago-Pago, depois de ter ajudado o António nas rotinas habituais também conhecidas por mordomias, que eu negociei por conta das transmissões em HF, dirigi-me para o Oscar de la Renta, petit nom do CS-AOD, para arrumar a bagagem e respectiva inspecção. Terminados os preparativos lancei o motor que respondeu à primeira, verifiquei magnetos, passo do hélice, mistura, combustível, vácuo, carga de alternador, etc, etc...
    Descolamos ainda de noite e preocupado com umas colinas com cerca de 500 metros de altura situadas mesmo no enfiamento da pista, concentrei a minha atenção no exterior, de maneira a evitar os cumes sem me desviar muito da rota. Passadas as colinas, comecei a descontrair, voltando a minha atenção para o interior; instrumentos de navegação, de motor e também de controlo de ventilação da cabine. Dei comigo a dizer: "que agradável está a temperatura hoje", coisa que habitualmente só acontece a nível de cruzeiro, a cerca de 9000 pés.
    De facto vinha uma aragem da parte de trás do avião que parecia ar condicionado. Entre o visível gozo com que apreciava a situação e um não sei quê de estranho. lá ia subindo, penosamente, por força do excesso de peso. De repente senti como que uma martelada entre as orelhas, na parte de trás da cabeça. Qual ar condicionado, qual nada!!!!  Seu #$%"#"&/|*.! a porta da bagageira!!!!
    Meio encabulado pego no microfone e dou "boa notícia" ao António que me seguia a pouca distância, esperando com as orelhas meias fechadas o seu comentário. Seguiu-se um silêncio pesado e nada. A compaixão tinha perdurado sobre a legítima fúria. Palavras de conforto foi o que ouvi.
    Ainda acabrunhado por tamanha burrice chamei a Torre e comuniquei que tinha de regressar por razões técnicas. À pergunta sobre o "technical problem" respondi: "oh, just a minor problem..." e por aqui se ficou a conversa. Com o orgulho um bocado amachucado lá aterrei, fui para uma zona menos iluminada do estacionamento e discretamente fechei a porta da bagageira.

    No que toca a "orelhas" estou tecnicamente empatado com o António. Vamos ver quem desempata.

    Sim, porque quando começarmos a não cometer erros, alguma coisa vai mal! É porque seguramente já não nos apercebemos de que os estamos a cometer!
 

Delfim Costa

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