Port Hedland-Northam

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    Com a mesma facilidade com que aterrámos, descolámos, transmitindo o plano de voo via rádio para Melburne. Tempo magnífico, é Inverno neste momento aqui, cerca de vinte graus centígrados com Sol e um ligeiro vento de cauda. Subimos sem problemas de temperatura, directamente para 9000 pés, cerca de 2700 metros.
    Não se podia pedir melhor, um voo relaxante a apreciar a paisagem, praticamente desértica com vegetação rasteira bastante esparsa, que se intensifica ao longo do leito seco de riachos "ergs" que devem correr só durante as tempestades. Este País de facto foi criado para aviadores, em qualquer lado é possível aterrar em caso de necessidade.

    À medida que nos aproximámos de Perth, a paisagem começou a mudar gradualmente com sinais de mais água e os primeiros campos cultivados. À direita da nossa rota surgiu um rio e imediatamente o verde passou a dominar o cenário com campos enormes muito bem alinhados e aqui e ali algumas construções, com aspecto de casas de quinta, mas espaçados por mais de uma dezena de kilómetros.
    Com todo este espaço só para nós, aproveitámos para fazer um pouco de voo de formação o que me permitiu filmar demoradamente o Faria e Mello à minha asa direita. Estávamos nestas manobras quando o Control nos chamou para anunciar que estávamos a entrar numa zona controlada, pelo que nos atribuíram um código transponder que permite a identificação no radar secundário, e a partir daí a coisa passou a fiar mais fino com respeito pelas altitudes atribuídas e o respectivo espaçamento.
    Num ápice atingimos as proximidades de Northam, pequeno aeródromo nos arredores de Perth. Depois de autorizados começámos a descer por entre nuvens, uma camada relativamente fina com cerca de 300 metros. Ouvi pelo rádio o Faria e Mello a falar na frequência de Northam, pelo que fiquei a saber qual a pista em uso e preparei-me para aterrar na pista 14.
Rolava já para o estacionamento quando percebi a voz embargada do Faria e Melo a dizer que estavam pessoas à nossa espera com uma bandeira. Entre o incrédulo e o confuso fui-me aproximando, até que avistei uma bandeira Portuguesa, qual "bola colorida entre as mãos de uma criança...", como escreveu António Gedeão; "Enquanto o homem sonha, o mundo pula e avança..."Nós sonhámos e avançámos, tínhamos cumprido a primeira parte do nosso objectivo, estávamos em Northam, recebidos calorosamente por um pequeno grupo de Portugueses que, por iniciativa própria, sabendo da nossa viagem, trataram de localizar-nos, e ali estavam para nos dar as boas-vindas. Gente simples, mas valorosa, com um coração do tamanho do Mundo, que veio partilhar connosco o orgulho de ser Português neste país longínquo.

 

Delfim Costa

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