Seychelles-Colombo

antes... Djibouti-Seychelles

    Saímos do hotel para a aeroporto num táxi guiado por um tipo simpático e civilizado. Pelo caminho foi-nos descrevendo, aquilo que, de muito bonito, íamos vendo. Tirei algumas fotografias e no final de contas mereceu a pena percorrer aqueles 35 km que nos separavam do aeroporto, pois tal deu-nos uma perspectiva da beleza daquela ilha.

    Chegados ao aeroporto fomos para os aviões e antes de mais tivemos de resolver o problema do pagamento do handling à funcionária da Air Seychelles, que na véspera , sempre de nariz arrebitado, teimou em receber. Deu-me um gozo danado fazer-lhe frente durante uma hora e pô-la de gatas sem argumentos.
    De nada adiantou o contacto feito de manhã com o Airport Manager, funcionário da Autoridade Aeronáutica das Seychelles, também ele me disse que "tinha que pagar". Depois se verão as consequências de uma queixa que pretendemos fazer para as instâncias internacionalmente competentes, nesta matéria.
Veredicto - "paga US$470 cada avião e ninguém bufa". Apeteceu-me esganar aquela cabra...Um roubo à mão desarmada e será ??? As Seychelles são um porta aviões no Índico e por isso quem o quer atravessar, não tem muitas alternativas. Daí que acaba por haver uma arma metida nisto - a sua localização.
   Descolámos ao anoitecer e cedo nos apercebemos que, comunicações em HF, iriam ser complicadas ou pura e simplesmente inexistentes. Foi precisamente isso que aconteceu. Eu e o Delfim, íamos comunicando a toda a hora e quebrando assim aquela monotonia.
    As horas iam-se somando e naturalmente a nossa distância diminuía em relação ao destino, mercê de uma coisa que nesse dia muito nos favoreceu - um óptimo vento de cauda (cerca de 25 nós de media).
    Já o voo ia a mais de meio quando o meu "radar dos tesos", um Stormscope, me avisou que a umas 100 milhas havia uns "caroços" ou seja nuvens com pancadaria associada. E assim foi. Começámos por ver umas faíscas lá ao longe e, de facto pouco tempo depois, estávamos a fazer manobras evasivas para evitar as tais nuvens com a actividade eléctrica. Pode-se dizer que o fizemos com uma certa eficácia, exceptuando o Delfim que resolveu ir em frente pela nuvem dentro, para lavar o avião, o que lhe custou umas abanadelas, logo seguido por mim para fazer o mesmo. Mal entrei na nuvem levei duas pantufadas que me puxaram o nariz alguns 50 graus para cima. Aí, nessa posição, veio uma faísca fortíssima, mesmo debaixo de mim e vi horrorizado, o hélice que parecia rodar muito devagar como se o motor estivesse a parar. Quando tudo passou e passou temporalmente depressa, embora para mim fosse uma eternidade, perguntei ao Delfim :
"Então apanhaste muita porrada?"
"Apanhei umas abanadelas", respondeu. Pensei cá comigo, olha este a dizer..."que apanhou umas abanadelas". Deve ter sido lindo!!
    E o tempo foi passando, sobrevoámos as ilhas Maldivas ainda de noite e trezentas milhas mais à frente o Sol nascia, praticamente à mesma altura em que entrávamos em contacto com Colombo, nosso destino. Aí chegados fizemos uma aterragem por instrumentos e prosseguimos para a placa de estacionamento, aonde finalmente parámos aviões e motores. Tínhamos voado 1700 milhas náuticas em 11:15 hrs.

 

António Faria e Mello

a seguir... Colombo-Singapura